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Mercado celebra o acordo comercial entre EUA e China

As bolsas internacionais encerraram a semana em alta generalizada, embaladas pelo clima de otimismo em função da confirmação do fechamento da primeira fase de um acordo comercial entre a China e os Estados Unidos. A expectativa de que, com essa sinalização de trégua, os fluxos globais de comércio podem se estabilizar em 2020, ou mesmo crescer, animou os investidores.

O Índice Bovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), renovou a máxima histórica nesta sexta-feira (13/12) com alta de 0,33%, a 112.565 pontos. Durante o pregão, o indicador chegou a alcançar 112.829 pontos, em um dia de forte volatilidade e movimento de R$ 25,8 bilhões. Enquanto isso, o dólar voltou a subir, encerrando o pregão cotado a R$ 4,11 para a venda, com valorização de 0,39% sobre a véspera.


Depois de quase dois anos de guerra comercial, os EUA vão suspender o aumento de 10% para 15% na taxação sobre cerca de US$ 156 bilhões em bens chineses, medida que entraria em vigor a partir de domingo. “As tarifas de penalidades definidas para 15 de dezembro não serão cobradas pelo fato de termos feito o acordo. Começaremos as negociações sobre o acordo da segunda fase imediatamente, em vez de esperar as eleições de 2020. Este é um negócio incrível para todos”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, nas redes sociais. “Eles (os chineses) concordaram em mudanças estruturais e com compras maciças de produtos agrícolas, energia, bens manufaturados, e muito mais”, completou. Segundo Trump, as tarifas de importação de 25% (sobre US$ 250 bilhões de produtos do país asiático) “permanecerão como estão, com 7,5% sobre a grande parte dos bens restantes”.

Embarques

Especialistas apontam que o valor de quanto mais a China deve importar dos Estados Unidos é um dos problemas para os exportadores brasileiros. Eles não têm dúvidas de que os embarques de produtos agrícolas do Brasil para o país asiático devem ser afetados, principalmente, os de carne e de soja, se os EUA ficarem em uma situação mais vantajosa. A China é o maior destino das exportações brasileiras e, apesar dos gargalos logísticos, o setor agrícola é competitivo globalmente.

Não à toa, as ações de um dos maiores frigoríficos nacionais, a BRF S.A, ficou em segundo lugar entre as maiores baixas na B3 nesta sexta-feira (13/12), com queda de 3,39%. As ações ordinárias (com direito a voto) da Petrobras lideraram a lista ao recuarem 3,69% depois de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciar que vai vender participação na petroleira em uma oferta em torno de R$ 24 bilhões.

Pelas estimativas do mercado, a China deve se comprometer em comprar algo em torno de US$ 50 bilhões de produtos agrícolas norte-americanos. Pelas contas de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o setor agrícola nacional poderá deixar de vender US$ 30 bilhões para os chineses, em produtos como carne, soja, milho, suco de laranja e açúcar. “Os Estados Unidos passarão a concorrer com o Brasil. Com isso, infelizmente, o país será prejudicado, e nenhuma nação conseguirá reclamar desse acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio), porque o órgão está perdendo musculatura”, lamentou Castro. Segundo ele, a OMC está deixando de beneficiar os pequenos, porque ninguém quer brigar com os EUA.

Boa notícia

A doutora em economia Lia Valls, coordenadora de Estudos de Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), lembrou que, nesses quase dois anos de conflito entre EUA e China, o Brasil acabou sendo beneficiado, mas agora o efeito será contrário. “A China compra muita soja e a boa notícia é que os EUA não são capazes de atender toda a demanda chinesa, principalmente, se houver um aumento na procura pelo produto”, destacou. No acumulado de janeiro a novembro, os embarques brasileiros para a China somaram US$ 57,6 bilhões, 2,07% a menos do que no ano passado. A soja respondeu por 34% do total exportado.

O economista Alberto Ramos, diretor do Goldman Sachs, acredita, no entanto, que o acordo será positivo para o Brasil. “A redução do clima de incerteza vai melhorar o fluxo de comércio global e todos vão ganhar. O Brasil, por exemplo, vai poder exportar commodities para outros países aos quais os EUA deixarão de vender para atender à demanda chinesa”, explicou.

IBC-Br mostra crescimento lento

O IBC-Br, índice do Banco Central que é considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,17% em outubro ante o mês anterior, na série com ajuste sazonal. Embora tenha tido desaceleração em relação a setembro, quando avançou 0,48%, este foi o terceiro resultado positivo consecutivo do indicador. Em relação ao mesmo mês de 2018, a expansão foi de 2,13%. O acumulado nos 10 primeiros meses do ano está em 0,95%. Para o economista Lauro Chaves Neto, conselheiro do Cofecon e pós-doutor em desenvolvimento regional pela Universidade de Barcelona, o IBC-Br mostra a retomada econômica em ritmo ainda lento. “O resultado confirma a tendência de recuperação, porém mostra que continua muito lenta e insuficiente para as necessidades da nossa economia”, disse.

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